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<title>Professor Márcio Guimarães</title>
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<description>Um blog com conteúdos aleatórios de ciências</description>
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<lastBuildDate>Wed, 24 Sep 2025 03:00:00 GMT</lastBuildDate>
<item>
  <title>Além do Espectro</title>
  <dc:creator>Márcio Guimarães</dc:creator>
  <dc:creator>Mônica Santos Oliveira</dc:creator>
  <link>https://marcioguimaraes.com/posts/alem-do-espectro/</link>
  <description><![CDATA[ 





<section id="introdução-repensando-a-definição-de-autismo" class="level2">
<h2 class="anchored" data-anchor-id="introdução-repensando-a-definição-de-autismo">Introdução: Repensando a Definição de Autismo</h2>
<p>O autismo é comumente entendido como um vasto espectro, uma única condição com uma imensa variedade de apresentações. Mas será que essa visão está completa? Uma pesquisa inovadora, publicada na prestigiosa revista <em>Nature Genetics</em>, não apenas questiona essa ideia, mas a desconstrói utilizando uma abordagem computacional em larga escala. Ao combinar dados genéticos e fenotípicos detalhados de mais de 5.000 indivíduos, o estudo fornece evidências biológicas robustas de que o autismo pode não ser uma condição monolítica, mas sim um conjunto de subtipos distintos. O objetivo dessa nova perspectiva não é criar rótulos, mas entender a diversidade biológica para oferecer um apoio mais eficaz e personalizado.</p>
<p>Este post irá explorar as quatro descobertas mais surpreendentes deste estudo, que começam a traçar um novo e mais detalhado mapa do autismo de acordo com <span class="citation" data-cites="litman2025">Litman <em>et al.</em> (2025)</span></p>
</section>
<section id="o-autismo-pode-ser-na-verdade-quatro-subtipos-distintos" class="level2">
<h2 class="anchored" data-anchor-id="o-autismo-pode-ser-na-verdade-quatro-subtipos-distintos">O autismo pode ser, na verdade, quatro subtipos distintos</h2>
<p>A visão tradicional do autismo como um espectro único muitas vezes se concentra em traços isolados. Em contraste, os pesquisadores adotaram uma “abordagem centrada na pessoa”, analisando a combinação de características de cada indivíduo de forma holística. Essa análise revelou que as pessoas no espectro não se distribuem aleatoriamente, mas se agrupam em quatro classes fenotípicas robustas e clinicamente relevantes.</p>
<p>As quatro classes identificadas no estudo, cada uma com um perfil único de coocorrências, são:</p>
<ul>
<li><p><strong>Desafios Moderados</strong> (n = 1.860): Indivíduos que, em geral, apresentam dificuldades mais leves em todas as categorias avaliadas em comparação com os outros grupos autistas.</p></li>
<li><p><strong>Social/Comportamental</strong> (n = 1.976): Caracteriza-se por altas dificuldades na comunicação social e no comportamento, mas sem atrasos significativos no desenvolvimento inicial. De fato, a idade em que alcançam os marcos de primeiras palavras e primeiros passos é praticamente idêntica à de seus irmãos não autistas. Este grupo também apresenta altas taxas de diagnósticos coexistentes de TDAH, ansiedade e depressão.</p></li>
<li><p><strong>TEA Misto com Atraso no Desenvolvimento (AD)</strong> (n = 1.002): Apresenta um quadro misto com uma forte presença de atrasos no desenvolvimento, fortemente associado a diagnósticos de atraso de linguagem, deficiência intelectual e transtornos motores.</p></li>
<li><p><strong>Amplamente Afetado</strong> (n = 554): Indivíduos que apresentam dificuldades consistentemente altas em todas as categorias avaliadas e o maior enriquecimento em quase todas as condições coexistentes medidas, desde deficiência intelectual até convulsões.</p></li>
</ul>
<p>É crucial entender que esses grupos não diferem apenas em “severidade”, mas no <em>padrão</em> de seus desafios, revelando uma estrutura muito mais organizada do que se pensava.</p>
<p>Ao adotar uma “abordagem centrada na pessoa”, a pesquisa demonstrou que a imensa heterogeneidade no autismo não é aleatória. Pelo contrário, ela se organiza em agrupamentos clinicamente significativos, cada um representando um padrão distinto de desafios e pontos fortes.</p>
</section>
<section id="cada-subtipo-tem-uma-impressão-digital-genética-única" class="level2">
<h2 class="anchored" data-anchor-id="cada-subtipo-tem-uma-impressão-digital-genética-única">Cada subtipo tem uma “impressão digital” genética única</h2>
<p>Aqui, a pesquisa faz sua conexão mais impactante: esses quatro agrupamentos fenotípicos não são arbitrários; eles são o reflexo de arquiteturas genéticas subjacentes distintas.</p>
<p>Para entender isso, é útil saber a diferença entre variantes genéticas <strong>comuns</strong> (frequentes na população) e <strong>raras</strong> (que podem surgir espontaneamente, ou <em>de novo</em>, ou serem herdadas).</p>
<ul>
<li><p><strong>Perfil Social/Comportamental:</strong> Este grupo mostrou a mais forte associação com <strong>variantes comuns</strong> que também estão ligadas ao Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e à depressão, alinhando-se perfeitamente com seu perfil clínico.</p></li>
<li><p><strong>Perfil TEA Misto com AD:</strong> Este grupo foi fortemente associado a <strong>variantes raras de alto impacto</strong>, tanto as que surgem <em>de novo</em> quanto as herdadas dos pais.</p></li>
<li><p><strong>Perfil Amplamente Afetado:</strong> Este grupo apresentou o maior acúmulo de <strong>variantes <em>de novo</em> de alto impacto</strong>, especialmente em genes que são altamente conservados ao longo da evolução (ou seja, genes tão fundamentais para o desenvolvimento que mudaram muito pouco entre as espécies).</p></li>
<li><p><strong>Perfil Desafios Moderados:</strong> Uma descoberta surpreendente foi que este grupo está associado a variantes raras de alto impacto em genes de <strong>restrição evolutiva intermediária</strong> — genes que são importantes, mas não tão críticos quanto os de alta restrição, cujo papel em formas mais severas de autismo já era conhecido.</p></li>
</ul>
<p>Esses achados fornecem, pela primeira vez, uma base biológica sólida que ajuda a explicar por que o autismo se manifesta de maneiras tão diferentes.</p>
</section>
<section id="o-quando-genético-importa-tanto-quanto-o-o-quê" class="level2">
<h2 class="anchored" data-anchor-id="o-quando-genético-importa-tanto-quanto-o-o-quê">O “quando” genético importa tanto quanto o “o quê”</h2>
<p>Esta é talvez a descoberta mais elegante do estudo: uma conexão direta entre o cronograma molecular dentro das células cerebrais e o cronograma de desenvolvimento observado na vida de uma criança. Não se trata apenas de <em>quais</em> genes são afetados, mas de <em>quando</em> eles exercem sua influência.</p>
<p>A pesquisa demonstrou isso de forma clara ao contrastar dois grupos:</p>
<ul>
<li><p>O grupo <strong>TEA Misto com AD</strong>, que se caracteriza por atrasos no desenvolvimento desde cedo e um diagnóstico em idade mais jovem, está associado a variantes em genes que são mais expressos durante o período <strong>fetal e neonatal</strong> em múltiplos tipos de células do córtex pré-frontal, incluindo neurônios excitatórios e inibitórios.</p></li>
<li><p>O grupo <strong>Social/Comportamental</strong>, que não apresenta atrasos significativos no desenvolvimento e tende a ser diagnosticado mais tarde, está associado a variantes em genes que são expressos mais tardiamente, no período <strong>pós-natal</strong>.</p></li>
</ul>
<p>Essa conexão entre o tempo de expressão gênica e os marcos do desenvolvimento clínico oferece uma nova e poderosa perspectiva sobre como variações genéticas se traduzem em comportamentos e desafios observáveis.</p>
<p>A pesquisa revelou um alinhamento biológico impressionante: o cronograma de ativação dos genes de risco no cérebro em desenvolvimento corresponde diretamente ao cronograma dos marcos clínicos observados na vida de uma criança, ligando o “quando” molecular ao “quando” desenvolvimental.</p>
</section>
<section id="estávamos-perdendo-pistas-genéticas-ao-agrupar-todos" class="level2">
<h2 class="anchored" data-anchor-id="estávamos-perdendo-pistas-genéticas-ao-agrupar-todos">Estávamos perdendo pistas genéticas ao agrupar todos</h2>
<p>A abordagem de analisar todos os autistas como um único grande grupo pode, na verdade, mascarar informações genéticas cruciais. Ao estratificar os indivíduos nos quatro subtipos, os pesquisadores revelaram sinais genéticos que antes estavam ocultos devido a um efeito de diluição.</p>
<p>O exemplo mais claro disso no estudo envolve mutações em genes de “restrição intermediária”:</p>
<ul>
<li><p>Estudos anteriores não haviam encontrado uma associação significativa entre o autismo e mutações nesses genes. O sinal era fraco demais para ser detectado quando todos os indivíduos estavam no mesmo “caldeirão” estatístico.</p></li>
<li><p>No entanto, ao separar os grupos, a nova pesquisa descobriu um enriquecimento significativo dessas mutações especificamente na classe <strong>Desafios Moderados</strong>.</p></li>
</ul>
<p>Isso é fundamental porque demonstra que a abordagem de “tamanho único” pode diluir sinais genéticos reais, porém sutis. A compreensão da complexa arquitetura genética do autismo exige uma análise mais refinada. Esta descoberta não apenas valida a separação dos quatro grupos, mas também abre novas vias para identificar genes de risco que antes estavam ocultos à vista de todos.</p>
</section>
<section id="conclusão-um-novo-mapa-para-o-território-do-autismo" class="level2">
<h2 class="anchored" data-anchor-id="conclusão-um-novo-mapa-para-o-território-do-autismo">Conclusão: Um Novo Mapa para o Território do Autismo</h2>
<p>Estamos testemunhando uma mudança fundamental na nossa compreensão do autismo: a transição de uma visão de um espectro único para um modelo de subtipos com bases biológicas, genéticas e de desenvolvimento distintas. Embora seja um primeiro passo, esta pesquisa oferece um “novo mapa” que pode orientar futuras investigações. Este trabalho não busca dividir a comunidade, mas sim entender melhor a sua diversidade biológica para celebrá-la e apoiá-la de forma mais eficaz.</p>
<p>Com este entendimento mais profundo sobre as diferentes biologias do autismo, como poderemos, no futuro, personalizar diagnósticos, apoios e intervenções para atender melhor às necessidades únicas de cada indivíduo?</p>
</section>
<section id="referências" class="level2">




</section>

<div id="quarto-appendix" class="default"><section class="quarto-appendix-contents" id="quarto-bibliography"><h2 class="anchored quarto-appendix-heading">Referências</h2><div id="refs" class="references csl-bib-body" data-entry-spacing="1">
<div id="ref-litman2025" class="csl-entry">
LITMAN, A. <em>et al.</em> Decomposition of phenotypic heterogeneity in autism reveals underlying genetic programs. <strong>Nature Genetics</strong>, vol. 57, no. 7, p. 1611–1619, 2025. Available at: <a href="https://www.nature.com/articles/s41588-025-02224-z">https://www.nature.com/articles/s41588-025-02224-z. </a>
</div>
</div></section><section class="quarto-appendix-contents" id="quarto-reuse"><h2 class="anchored quarto-appendix-heading">Reuso</h2><div class="quarto-appendix-contents"><div><a rel="license" href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/">CC BY-NC-SA 4.0</a></div></div></section></div> ]]></description>
  <category>Autismo</category>
  <category>TEA</category>
  <category>Neuropsicologia</category>
  <guid>https://marcioguimaraes.com/posts/alem-do-espectro/</guid>
  <pubDate>Wed, 24 Sep 2025 03:00:00 GMT</pubDate>
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</item>
<item>
  <title>História das vitaminas</title>
  <dc:creator>Márcio Guimarães</dc:creator>
  <link>https://marcioguimaraes.com/posts/historia-das-vitaminas/</link>
  <description><![CDATA[ 





<section id="disclaimer" class="level2">
<h2 class="anchored" data-anchor-id="disclaimer">Disclaimer</h2>
<p>Disponibilizei esse material por julgá-lo interessante para uso de professsores de ciências e seus alunos. Trata-se de uma brochura intitulada <strong>História das Vitaminas</strong> <span class="citation" data-cites="carvalhojr1966">Carvalho Jr (1966)</span> e publicada em 1966 pelo médico Eugênio Carvalho Jr (1914-1995). Os textos que seguem pertencem ao referido autor.</p>
<div class="quarto-figure quarto-figure-center">
<figure class="figure">
<p><img src="https://marcioguimaraes.com/posts/historia-das-vitaminas/capa-historia-das-vitaminas.jpg" class="img-fluid figure-img" width="400"></p>
<figcaption>Capa do livro História das Vitaminas</figcaption>
</figure>
</div>
</section>
<section id="prefácio" class="level2">
<h2 class="anchored" data-anchor-id="prefácio">Prefácio</h2>
<p>Neste pequeno livro destinado, principalmente, às crianças que já saibam ler, proclama-se a importância das vitaminas exaltando-se as virtudes maravilhosas de que são possuidoras.</p>
<p>Desconhecidas durante séculos, foram, mais tarde, tidas como um princípio comum que emprestava aos alimentos propriedades nutritivas.</p>
<p>A sua longa e interessante história muito contribuiu para engrandecer e enriquecer os conhecimentos médicos.</p>
<p>Inúmeras moléstias, durante centenas de anos, dizimaram a humanidade, arrastando-se até o início deste século, quando se observou que os animais alimentados apenas com hidratos de carbono eram acometidos de perturbações visuais (xeroftalmia).</p>
<p>Estava assim, pela primeira vez, descoberta a vitamina que passou a ser chamada de “vitamina A”. Desde aí, até esta data, mais de uma dezena delas foram identificadas, recebendo, ordenadamente, as letras do alfabeto.</p>
<p>Por toda a idade moderna e grande parte da contemporânea, até o início da grande guerra de 1914, o raquitismo, o beribéri, o escorbuto, a pelagra, a xeroftalmia - as avitaminoses como as chamamos hoje - eram enfermidades já conhecidas: apenas não se sabia qual o elemento desencadeante.</p>
<p><strong>Camões</strong>, referindo-se à viagem tormentosa de <strong>Vasco da Gama</strong> às índias, no ano de 1497, menciona o escorbuto e o beribéri.</p>
<p><strong>Euclides da Cunha</strong>, no seu notável estudo <strong>Os Sertões</strong>, cita o caso de uma moléstia denominada “extravagante” (hemeralopia) que atacou os jagunços na Guerra dos Canudos, em 1902, nos sertões da Bahia.</p>
<p>Sucederam-se, assim, muitos e muitos episódios que, somados aos ensaios e experiências, revolucionaram o campo médico, acabando por demonstrar que certas doenças não eram infecções ou intoxicações, mas, apenas, ausência de vitaminas.</p>
<p>Descobriu-se, destarte, as vitaminas na alimentação humana. Cabe a primazia a <strong>Casimiro Funk</strong>, que, em investigações sobre a etiologia do beribéri, observou que no farelo do arroz havia uma substância que, quando aplicada aos enfermos com beribéri, curava-os rapidamente.</p>
<p>Sabe-se, a partir daí, serem as vitaminas substâncias essenciais à saúde, necessárias ao crescimento normal e imprescindíveis à manutenção da vida. São substâncias que, no organismo, facilitam a conservação e a reprodução celulares, garantindo, ao mesmo tempo, a função normal dos órgãos. Embora sempre apareçam em pequenas quantidades, desempenham, ainda, papel protetor, regulador, fixador e catalizador.</p>
<p>Aprende-se, neste livrinho, em versos agradáveis e harmoniosos, não só o grande valor das vitaminas, como também ali são destacados os alimentos mais ricos das mesmas e que, por conseguinte, protegem melhor a nossa saúde.</p>
<p>É, sem dúvida, uma brilhante contribuição pela maneira simples e agradável, na forma e na apresentação, e seus úteis ensinamentos servirão para fortificar e consolidar novos conhecimentos, além de corrigir erros e falhas alimentares perpetuadas por falta de melhores esclarecimentos.</p>
<p>É para nós um prazer e uma honra prefaciar esta coletânea, presenciando, uma vez mais, o talentoso espírito do jovem médico que, novamente, encanta com seus trabalhos.</p>
<p>Claro, preciso e verdadeiro nas suas afirmações, enriquecidas de ciência, tem o <strong>Dr.&nbsp;Eugenio Carvalho Jr</strong> a virtude de saber conquistar a simpatia e a admiração de todos.</p>
<p>É o educador que sabe selecionar as noções proveitosas, úteis, e apropriadas, para conjurar as dificuldades tão frequentes na vida cotidiana.</p>
<p>Confiamos no sucesso e aceitação deste livro, que, por sua simplicidade, está ao alcance de escolares e adolescentes, mas que, por sua penetração e singeleza, traz, a todos nós, a certeza de como assegurar o vigor e o bem-estar do nosso povo.</p>
<p>Rio de Janeiro, 31 de março de 1966<br>
</p>
<p>Antonio Mendes Monteiro<br>
</p>
<p>Presidente da C. N .A.<br>
</p>
</section>
<section id="as-vitaminas-em-versos" class="level2">
<h2 class="anchored" data-anchor-id="as-vitaminas-em-versos">As vitaminas em versos</h2>
<div class="tabset-margin-container"></div><div class="panel-tabset">
<ul class="nav nav-tabs"><li class="nav-item"><a class="nav-link active" id="tabset-1-1-tab" data-bs-toggle="tab" data-bs-target="#tabset-1-1" aria-controls="tabset-1-1" aria-selected="true" href="">Apresentação</a></li><li class="nav-item"><a class="nav-link" id="tabset-1-2-tab" data-bs-toggle="tab" data-bs-target="#tabset-1-2" aria-controls="tabset-1-2" aria-selected="false" href="">Vitamina A</a></li><li class="nav-item"><a class="nav-link" id="tabset-1-3-tab" data-bs-toggle="tab" data-bs-target="#tabset-1-3" aria-controls="tabset-1-3" aria-selected="false" href="">Vitamina B</a></li><li class="nav-item"><a class="nav-link" id="tabset-1-4-tab" data-bs-toggle="tab" data-bs-target="#tabset-1-4" aria-controls="tabset-1-4" aria-selected="false" href="">Vitamina B2</a></li><li class="nav-item"><a class="nav-link" id="tabset-1-5-tab" data-bs-toggle="tab" data-bs-target="#tabset-1-5" aria-controls="tabset-1-5" aria-selected="false" href="">Vitamina PP</a></li><li class="nav-item"><a class="nav-link" id="tabset-1-6-tab" data-bs-toggle="tab" data-bs-target="#tabset-1-6" aria-controls="tabset-1-6" aria-selected="false" href="">Outras vitaminas do complexo B</a></li><li class="nav-item"><a class="nav-link" id="tabset-1-7-tab" data-bs-toggle="tab" data-bs-target="#tabset-1-7" aria-controls="tabset-1-7" aria-selected="false" href="">Vitamina C</a></li><li class="nav-item"><a class="nav-link" id="tabset-1-8-tab" data-bs-toggle="tab" data-bs-target="#tabset-1-8" aria-controls="tabset-1-8" aria-selected="false" href="">Vitamina D</a></li><li class="nav-item"><a class="nav-link" id="tabset-1-9-tab" data-bs-toggle="tab" data-bs-target="#tabset-1-9" aria-controls="tabset-1-9" aria-selected="false" href="">Vitamina E</a></li><li class="nav-item"><a class="nav-link" id="tabset-1-10-tab" data-bs-toggle="tab" data-bs-target="#tabset-1-10" aria-controls="tabset-1-10" aria-selected="false" href="">Vitamina K</a></li></ul>
<div class="tab-content">
<div id="tabset-1-1" class="tab-pane active" aria-labelledby="tabset-1-1-tab">
<p>Meninos vou lhes contar<br>
uma história diferente,<br>
Que serve para divertir,<br>
Mas também ensina a gente.<br>
</p>
<p>Por certo já lhes falaram<br>
Nas famosas vitaminas,<br>
Que dão saúde e vigor<br>
A meninos e meninas<br>
</p>
<p>São muitas e se conhecem<br>
Pelas letras do alfabeto,<br>
Dão pra fazer uma pilha<br>
Quase da altura do teto!<br>
</p>
<p>Cada uma tem o seu nome<br>
E todas são importantes,<br>
O que podemos mostrar,<br>
Dentro de poucos instantes.<br>
</p>
<p>Mas não pensem, meus amigos,<br>
Que elas são medicamentos;<br>
São produtos naturais<br>
Que existem nos alimentos.<br>
</p>
<p>Mas os homens, que são tolos,<br>
Desconhecendo a verdade,<br>
Procuram sempre encontrá-las<br>
Nas farmácias da cidade!<br>
</p>
<p>Pra que vocês não repitam<br>
Um erro assim tão vulgar,<br>
É que nós nos decidimos<br>
A esta história lhes contar.<br>
</p>
</div>
<div id="tabset-1-2" class="tab-pane" aria-labelledby="tabset-1-2-tab">
<p>Vamos então começar<br>
Pela vitamina A,<br>
Dizendo para que serve<br>
E também onde ela está!<br>
</p>
<p>Uns ratinhos bonitinhos,<br>
Vão servir pra experiência,<br>
Pois são colaboradores<br>
Do progresso da ciência.<br>
</p>
<p>Vocês sabiam por que<br>
O rato nós escolhemos?<br>
Ê porque eles também comem<br>
Tudo quanto nós comemos.<br>
</p>
<p>E têm a vida tão curta<br>
(Guardem bem estas noções)<br>
Que podem ser estudados<br>
Em diversas gerações.<br>
</p>
<p>Faltando esta vitamina,<br>
Eles param de crescer;<br>
Têm outras perturbações<br>
Que tentarei descrever.<br>
</p>
<p>Os seus olhos ficam secos,<br>
Começam logo a arder,<br>
Virarão uma ferida<br>
Se ninguém os socorrer!<br>
</p>
<p>Mas, se as ratinhas se casam,<br>
Isto é triste de dizer,<br>
Embora tenham vontade,<br>
Filhinhos não podem ter!<br>
</p>
<p>Também a nós acontece<br>
Cousa muito parecida,<br>
Se falta esta vitamina,<br>
Todo dia, na comida.<br>
</p>
<p>Nossa pele fica seca,<br>
Com cravos a aparecer,<br>
Tal qual como nos ratinhos,<br>
Nossos olhos vão sofrer.<br>
</p>
<p>Se vamos a um cinema,<br>
Isto é fato bem seguro,<br>
Custaremos a encontrar<br>
Um lugarzinho no escuro!<br>
</p>
<p>Quase que não vemos nada,<br>
Quando vai morrendo o dia,<br>
Nesta doença de carência,<br>
Chamada <strong>Hemeralopia</strong>.<br>
</p>
<p>O nome é bem complicado,<br>
Vem do grego, certamente,<br>
Mas é melhor conhecê-lo<br>
E evitar ficar doente.<br>
</p>
<p>Procurando todo dia,<br>
Em nossa alimentação,<br>
Escolher os alimentos<br>
Que nos tragam proteção.<br>
</p>
<p>As vitaminas se medem<br>
Em peso, ou em unidades,<br>
E são produtos que agem<br>
Em pequenas quantidades.<br>
</p>
<p>Um óleo que é muito rico<br>
E de gosto não é mau,<br>
É o óleo feito do fígado<br>
De um peixe: o bacalhau.<br>
</p>
<p>O mais rico em Unidades,<br>
Pois tem mais de três milhões,<br>
É o óleo que retiramos<br>
Do fígado dos cações.<br>
</p>
<p>Os vegetais e as frutas<br>
De cor verde ou amarela,<br>
Contêm vitamina A,<br>
Pois todos são ricos nela!<br>
</p>
<p>Você não vê muita gente<br>
(E não preciso de provas)<br>
Quando vai comer alface<br>
Escolher as folhas novas?<br>
</p>
<p>Podem ser mais saborosas,<br>
De consistência mais fina,<br>
Mas as folhas bem escuras<br>
Têm muito mais vitamina!<br>
</p>
<p>Não deixem, pois, de comer,<br>
Todo dia, com certeza,<br>
Verduras, como salada,<br>
E frutas, na sobremesa.<br>
</p>
<p>Nós precisamos, por dia,<br>
De cinco mil unidades,<br>
Mas variando um pouquinho<br>
De acordo com as idades.<br>
</p>
<p>Precisam um pouco mais,<br>
Os jovens em crescimento,<br>
A mamãe que nos espera<br>
Ou nos dá aleitamento!<br>
</p>
</div>
<div id="tabset-1-3" class="tab-pane" aria-labelledby="tabset-1-3-tab">
<p>Dizer vitamina B<br>
É uma força de expressão,<br>
Pois elas hoje são tantas<br>
Que formam constelação.<br>
</p>
<p>Começando na B1<br>
À B15 já chegaram.<br>
O certo é que virão outras,<br>
Pois as pesquisas não param.<br>
</p>
<p>Falaremos da B1<br>
Delas a mais importante,<br>
Que hoje está tão popular,<br>
Tal qual, outrora, o purgante.<br>
</p>
<p>Não só se chama B1<br>
Esta nossa vitamina,<br>
Pois também é conhecida<br>
Com nome de <strong>Tiamina</strong>.<br>
</p>
<p>Os abusos são demais,<br>
Pensam que serve pra tudo.<br>
Para que vocês aprendam,<br>
Não poderei ficar mudo.<br>
</p>
<p>Vou procurar ensinar<br>
O que existe de verdade;<br>
Vocês podem crer em mim,<br>
Falo com sinceridade.<br>
</p>
<p>Se deixarmos um pombinho,<br>
Arroz polido comendo,<br>
Em menos de vinte dias<br>
O pobre estará sofrendo.<br>
</p>
<p>Ficará todo tortinho,<br>
Com a cabeça para trás,<br>
Não poderá mais andar,<br>
Nem tampouco voar mais.<br>
</p>
<p>Os seus nervos ficam fracos,<br>
Podem até se alterar,<br>
E deixam como sinal<br>
A contração muscular.<br>
</p>
<p>Mas se a gente, neste instante,<br>
A vitamina injetar,<br>
Os pombos, em pouco tempo,<br>
Começarão a voar!<br>
</p>
<p>Os nossos nervos também<br>
Poderão muito sofrer,<br>
E então, como consequência,<br>
Iremos adoecer.<br>
</p>
<p>O que sentimos é vago:<br>
Um cansaço sem cessar,<br>
Uma falta de apetite,<br>
Dores em todo lugar!<br>
</p>
<p>Precisamos, todo dia,<br>
Uma dose pequenina:<br>
Um e meio miligramas,<br>
Apenas, da vitamina.<br>
</p>
<p>Mas se a carência for grande,<br>
Nós teremos que aumentar,<br>
Mas, nunca as doses crescentes<br>
Que nos querem injetar!<br>
</p>
<p>Se tomarmos doses grandes,<br>
Excesso de vitamina,<br>
Poremos dinheiro fora,<br>
Pois sairão pela urina!<br>
</p>
<p>Cem, duzentos miligramas,<br>
É cousa que não se usa;<br>
Porque não nos fazem mal,<br>
Inutilmente, se abusa.<br>
</p>
<p>A fonte mais importante,<br>
É pena que assim o seja,<br>
Pois quase não o usamos:<br>
— É o lêvedo de cerveja.<br>
</p>
<p>O fígado também é<br>
Uma fonte formidável,<br>
Pois, além de nutritivo,<br>
Tem um sabor agradável.<br>
</p>
<p>Nós devemos preferir<br>
alimento natural,<br>
Usando, de preferência,<br>
O cereal integral.<br>
</p>
<p>Na cutícula do arroz<br>
Há vitaminas demais,<br>
Mas, se o arroz for polido,<br>
Perderemos ela e os sais.<br>
</p>
<p>A carne de porco é rica,<br>
Gostosa, ninguém se engana;<br>
Deveríamos comê-la,<br>
Sem falta, toda a semana.<br>
</p>
<p>Também devemos trocar<br>
O café com pão, da ceia,<br>
Por um bom copo de leite,<br>
Engrossado com aveia.<br>
</p>
<p>Assim, meus bons amiguinhos,<br>
Teremos força e vigor,<br>
Para enfrentar os estudos,<br>
Confiantes, sem temor.<br>
</p>
<p>Porque o cérebro da gente,<br>
Não pensem que isto é história,<br>
Quando estamos desnutridos,<br>
Tem muito pouca memória!<br>
</p>
</div>
<div id="tabset-1-4" class="tab-pane" aria-labelledby="tabset-1-4-tab">
<p>A Vitamina B2,<br>
Assim como a Tiamina,<br>
Também tem um outro nome,<br>
Que é de <strong>Riboflavina</strong>.<br>
</p>
<p>Riboflavina traduz<br>
Uma palavra formada<br>
Por <em>flavina</em>, que, em latim,<br>
Quer dizer amarelada.<br>
</p>
<p>É vitamina importante<br>
Pois, se não a recebemos,<br>
Dentro de bem pouco tempo,<br>
Só por isto, não crescemos.<br>
</p>
<p>Vão arder os nossos olhos,<br>
Sem poder fitar a luz;<br>
Nossa língua, bem vermelha,<br>
Sua carência traduz.<br>
</p>
<p>Ficam os lábios feridos,<br>
Racha-se o canto da boca,<br>
Toda vez que ela nos falta,<br>
Ou há, mas é muito pouca.<br>
</p>
<p>Menos de dois miligramas<br>
É de quanto precisamos,<br>
E podem ser encontrados,<br>
Se alguns cuidados tomamos.<br>
</p>
<p>Pois se você comer queijo,<br>
Ou leite, um copo tomar,<br>
Pode dormir descansado,<br>
Ela nunca há de faltar!<br>
</p>
<p>O fígado é boa fonte,<br>
O lêvedo é rico, assim!<br>
E para aqueles que gostam<br>
Não posso esquecer o rim.<br>
</p>
</div>
<div id="tabset-1-5" class="tab-pane" aria-labelledby="tabset-1-5-tab">
<p>Não pense que foi engano<br>
A letra sair dobrada,<br>
Pois é mesmo deste jeito<br>
Que a vitamina é chamada.<br>
</p>
<p><strong>Pelagra</strong> — vem da Itália,<br>
Da língua imortal de Dante,<br>
E quer dizer <strong>pele áspera</strong><br>
Que é o sintoma dominante.<br>
</p>
<p>Aparece em qualquer um,<br>
Quer no plebeu ou no nobre;<br>
Por passar dificuldades,<br>
É bem mais comum no pobre.<br>
</p>
<p>É o <strong>Ácido Nicotínico</strong>,<br>
Ou Vitamina PP,<br>
O principal responsável<br>
Por tudo que a gente vê.<br>
</p>
<p>Toda parte exposta ao sol<br>
Fica logo avermelhada;<br>
O dorso da mão, por isto,<br>
É parte muito afetada.<br>
</p>
<p>Sintoma bem importante<br>
E eu quero que me acredite,<br>
É a inflamação da pele<br>
Que se chama — <strong>Dermatite</strong>.<br>
</p>
<p>Inflamando os intestinos,<br>
Todo o corpo se consome,<br>
Surgindo um outro sintoma:<br>
<strong>Diarreia</strong> é o seu nome.<br>
</p>
<p>Se as condições continuam<br>
E se agrava esta carência,<br>
Teremos como final<br>
Um estado de <strong>Demência</strong>.<br>
</p>
<p>Mas se olhar, com atenção,<br>
Os estragos que ela fez,<br>
Verá porque a chamamos<br>
De doença dos três Dês.<br>
</p>
<p>E se o doente morrer,<br>
Me desculpem, mas eu junto,<br>
Mais um D, por minha conta,<br>
Pois ele virou Defunto.<br>
</p>
<p>Eu bem sei que você acha<br>
Este método antipático,<br>
Mas o mal sempre se cura<br>
Com injeção de extrato hepático.<br>
</p>
<p>Mas se você, meu amigo,<br>
Da injeção quer se livrar,<br>
Preste então muita atenção<br>
Ao conselho que vou dar:<br>
</p>
<p>Coma queijo, tome leite,<br>
Use sempre carne magra,<br>
E você estará livre,<br>
Eu garanto, da <strong>Pelagra</strong>.<br>
</p>
</div>
<div id="tabset-1-6" class="tab-pane" aria-labelledby="tabset-1-6-tab">
<p>B3, B4, B5,<br>
B7 e umas outras mais,<br>
Não interessam aos homens,<br>
Apenas aos animais.<br>
</p>
<p>A Vitamina B6,<br>
Também <strong>Piridoxina</strong>,<br>
Tem importância nos cães,<br>
Restaurando a <strong>hemoglobina</strong>.<br>
</p>
<p>Hemoglobina é o corante<br>
Que torna o sangue encarnado,<br>
E que faz você ficar<br>
Com seu rostinho corado.<br>
</p>
<p>Mas se no rato ela falta,<br>
Ele fica bem feinho<br>
Pois cai-lhe o pelo dos olhos,<br>
Da boca e de seu focinho.<br>
</p>
<p>Do <strong>Ácido Pantotênico</strong>,<br>
Faltando-me o engenho e a arte,<br>
Apenas posso dizer<br>
Que se encontra em toda a parte.<br>
</p>
<p>Suas ações variadas<br>
Eu não posso lhe dizer,<br>
Porque são muito difíceis<br>
Para você compreender.<br>
</p>
<p>B12, e <strong>Ácido Fólico</strong><br>
São precisos todo dia,<br>
Para que você não tenha<br>
Uma espécie de anemia.<br>
</p>
<p>Uma doença bem grave<br>
E de cura duvidosa,<br>
Anemia de um tipo<br>
Chamado: <strong>Perniciosa</strong>.<br>
</p>
<p>Se você quiser crescer,<br>
Não a esqueça um só momento,<br>
Pois Vitamina B12<br>
É um fator de crescimento.<br>
</p>
<p>Todas estas vitaminas<br>
Que existem neste complexo,<br>
São sempre encontradas juntas,<br>
Unidas por um amplexo.<br>
</p>
<p>No leite, queijo, nas carnes,<br>
No fígado e levedura,<br>
Nos cereais integrais,<br>
São presentes, com fartura.<br>
</p>
<p>Usando estes alimentos,<br>
Garantirei a você<br>
Que nunca mais ficará<br>
Carente em tudo o que é B.<br>
</p>
</div>
<div id="tabset-1-7" class="tab-pane" aria-labelledby="tabset-1-7-tab">
<p>Vitamina popular,<br>
Conhecida como quê!<br>
Uns chamam de <strong>Ácido Ascórbico</strong>,<br>
Outros, Vitamina C.<br>
</p>
<p>Esta não é novidade<br>
Pra você, posso afirmar;<br>
Mas conhecê-la melhor,<br>
Não ocupa mais lugar!<br>
</p>
<p>Já no século passado,<br>
Havia observações<br>
De doença que atacava,<br>
Em cheio, as tripulações.<br>
</p>
<p>Dos navios que partiam<br>
Pra descobrir outras terras,<br>
Ou naqueles que viviam<br>
Sempre empenhados em guerras.<br>
</p>
<p>Camões, o grande poeta<br>
No Lusíadas famoso,<br>
Descreveu esta doença,<br>
Num quadro bem horroroso.<br>
</p>
<p>Chamava de crua e feia<br>
A doença que, dizia,<br>
Deixava a boca fedendo,<br>
Da carne que apodrecia!<br>
</p>
<p>Por que isto acontecia,<br>
Ou qual seria a razão?<br>
Ninguém podia supor<br>
Que fosse a alimentação.<br>
</p>
<p>Mas foi descoberto que<br>
(oh! grande observação)<br>
Legumes e frutas frescas<br>
Davam sempre proteção.<br>
</p>
<p>Qual seria o responsável<br>
Por um mal assim tão bruto<br>
Que recebeu, logo após,<br>
O nome de <strong>Escorbuto</strong>?<br>
</p>
<p>As pesquisas começaram<br>
E descobriu-se o porquê:<br>
Faltava nos tripulantes<br>
Uma vitamina — a C.<br>
</p>
<p>Muito afastados da terra,<br>
Longos dias sobre o mar,<br>
Alimentos perecíveis<br>
Não podiam conservar.<br>
</p>
<p>Você sabe o que acontece<br>
À cobaia pequenina<br>
Que fica, por muito tempo,<br>
Sem receber vitamina?<br>
</p>
<p>Suas pernas ficam fracas,<br>
Já não pode mais correr,<br>
Se deita sobre as patinhas<br>
Que não param de doer!<br>
</p>
<p>Lá dentro, nos seus ossinhos,<br>
Há sempre uma hemorragia,<br>
Que você poderá ver<br>
Tirando radiografia.<br>
</p>
<p>Também nós iremos ter,<br>
E disto tenho a certeza,<br>
Se não tomarmos cuidado,<br>
Males desta natureza.<br>
</p>
<p>Se batemos com os braços,<br>
No mais das vezes, as coxas,<br>
No lugar que machucamos<br>
Aparecem manchas roxas.<br>
</p>
<p>Hemorragias se formam<br>
Em quase todos os casos;<br>
O sangue, por qualquer cousa,<br>
Quer saltar fora dos vasos!<br>
</p>
<p>Mas na boca, meus amigos,<br>
É que se nota a doença,<br>
Pois comparada à normal,<br>
Há uma grande diferença.<br>
</p>
<p>As gengivas doloridas<br>
Começam logo a inchar,<br>
E, com qualquer pancadinha,<br>
Costumam sempre sangrar.<br>
</p>
<p>Perdem muito a resistência,<br>
Acabam por se ferir,<br>
E os dentes, em consequência,<br>
Podem, às vezes, cair!<br>
</p>
<p>Se, escovando seus dentinhos,<br>
Sua gengiva sangrar,<br>
Se sentir dores nos ossos,<br>
Procure se acautelar.<br>
</p>
<p>Este conselho é verdade<br>
Mais antigo que o Evangelho:<br>
— Ninguém perde em ter cautela,<br>
Seguro morreu de velho!<br>
</p>
<p>Precisa setenta e cinco<br>
Miligramas todo dia,<br>
Uma pessoa normal<br>
Que queira viver sadia!<br>
</p>
<p>Mas você perguntará:<br>
Onde eu irei encontrar<br>
Tanta vitamina ’C?<br>
— Não consigo imaginar!<br>
</p>
<p>Eu lhe direi, mas você<br>
Este compromisso assume:<br>
De seguir os bons conselhos<br>
Que esta historinha resume.<br>
</p>
<p>Vou lhe apresentar primeiro<br>
O maior — o campeão,<br>
Alimento ou condimento<br>
Que se chama pimentão.<br>
</p>
<p>Não o verde, nem vermelho,<br>
(Para a verdade eu apelo)<br>
O que tem mais de trezentos<br>
Miligramas: o amarelo!<br>
</p>
<p>De duzentos e oitenta<br>
Miligramas é a taxa<br>
Que em cem gramas de caju<br>
Constantemente se acha.<br>
</p>
<p>O vermelho é bem mais rico<br>
(Não sei se é porque se pinte),<br>
Pois o caju amarelo<br>
Só tem duzentos e vinte!<br>
</p>
<p>Mas na goiaba, porém,<br>
O inverso se revela,<br>
Já que a goiaba vermelha<br>
Tem menos do que a amarela.<br>
</p>
<p>O espinafre tão famoso,<br>
Que no Popeye não falha,<br>
Tem, no entanto, muito menos<br>
Que o caruru e a bertalha.<br>
</p>
<p>Sem falso nacionalismo<br>
(Sou assim por natureza),<br>
Mas nossa batata doce<br>
É mais rica do que a inglesa.<br>
</p>
<p>A laranja é muito rica,<br>
O limão é muito prosa,<br>
Mas têm tanta vitamina<br>
Quanto a boa manga rosa.<br>
</p>
<p>Na banana, no mamão,<br>
Nos vegetais, em geral,<br>
Abunda esta vitamina<br>
Pobre no reino animal!<br>
</p>
</div>
<div id="tabset-1-8" class="tab-pane" aria-labelledby="tabset-1-8-tab">
<p>Você já ouviu falar<br>
Algum dia em raquitismo?<br>
Talvez não saiba porque<br>
Ataca o nosso organismo.<br>
</p>
<p>Mas já viu muitas crianças<br>
Desnutridas, bem magrinhas,<br>
Que têm o punho bem grosso,<br>
Ou bem tortas as perninhas.<br>
</p>
<p>Os ossinhos da cabeça<br>
Custando muito a soldar,<br>
E ’o peito das criancinhas<br>
À toa se deformar.<br>
</p>
<p>Quase que não têm vontade<br>
De brincar, de passear,<br>
Enquanto você, que é forte,<br>
Não se cansa de pular!<br>
</p>
<p>Qual será esta doença<br>
Que seu corpinho consome?<br>
Aprendam, meus amiguinhos;<br>
Raquitismo é o seu nome.<br>
</p>
<p>Aparece nas crianças<br>
E nós sabemos, porquê.<br>
Porque lhes falta no corpo<br>
Uma vitamina: a D.<br>
</p>
<p>São crianças que não tomam<br>
Seu leitinho todo dia,<br>
Ou então que são criadas<br>
Sem receber luz do dia.<br>
</p>
<p>Que ficam presas em casa,<br>
Num pequeno apartamento,<br>
E que por dificuldades<br>
Recebem pouco alimento.<br>
</p>
<p>Pois nós sabemos, demais,<br>
Que os ossos fortes só tem<br>
Quem recebe muito fósforo<br>
E muito cálcio também.<br>
</p>
<p>Veja que nome difícil:<br>
<strong>De-hidro-colesterol</strong>!<br>
Mas ele dá vitamina<br>
Pela ação da luz do sol!<br>
</p>
<p>Sintetizada na pele<br>
Pelos ultravioleta<br>
Que são os raios do sol<br>
Que tornam a pele preta!<br>
</p>
<p>Preta, é força de expressão,<br>
Quero dizer, bronzeada;<br>
Mas a cor pouco interessa,<br>
Pois não é vitaminada.<br>
</p>
<p>A sua fonte mais rica<br>
Nos peixes é encontrada;<br>
Extraída de seus fígados<br>
Em solução concentrada.<br>
</p>
<p>Os óleos de vários peixes,<br>
Do bacalhau ao cação,<br>
Possuem as vitaminas<br>
A e D em profusão.<br>
</p>
<p>Os alimentos melhores<br>
São o leite e são os ovos,<br>
Que mesmo assim são bem pobres,<br>
Comparando aos óleos novos.<br>
</p>
<p>Porque se o óleo envelhece,<br>
Quer dizer, fica rançoso,<br>
Seu teor de vitaminas<br>
Tem um valor duvidoso.<br>
</p>
<p>As criancinhas precisam<br>
Quatrocentas unidades;<br>
Os adultos em geral<br>
Não têm mais necessidades.<br>
</p>
<p>Se você quiser ser forte<br>
E fugir ao raquitismo,<br>
Não deixe nunca que falte<br>
O cálcio em seu organismo.<br>
</p>
<p>Mas não pense que é melhor<br>
O cálcio em medicamentos;<br>
Nenhum deles se compara<br>
Ao que há nos alimentos.<br>
</p>
<p>Tome leite, coma queijo,<br>
Todo dia, sem faltar,<br>
E terá muita saúde<br>
Para esta vida enfrentar!<br>
</p>
<p>Mas sempre, pela manhã,<br>
Dê um passeio na praça,<br>
Pois os ultravioleta<br>
Não passam pela vidraça!<br>
</p>
<p>Divida bem o seu tempo,<br>
Da manhã ao arrebol,<br>
Procure vida ao ar livre,<br>
Seu grande amigo é o sol!<br>
</p>
</div>
<div id="tabset-1-9" class="tab-pane" aria-labelledby="tabset-1-9-tab">
<p>Eu só posso lhe dizer<br>
Que é do grupo do fenol.<br>
Pela ação que desempenha<br>
Chamou-se <strong>Tocoferol</strong>.<br>
</p>
<p>Palavra que vem do grego<br>
(Não sei como me descarto)<br>
E que traduz sua ação:<br>
Fenol que conduz o parto.<br>
</p>
<p>Este assunto que interessa<br>
Muito mais a seus papais,<br>
Eu deixarei pra contar<br>
Quando você crescer mais.<br>
</p>
</div>
<div id="tabset-1-10" class="tab-pane" aria-labelledby="tabset-1-10-tab">
<p>Vem de língua onde com K<br>
Se escreve coagulação<br>
Quando ela faltar, os pintos<br>
Vão sangrar em profusão!<br>
</p>
<p>Pois toma parte na síntese<br>
Que no fígado se faz,<br>
Transformando-a em <strong>protrombina</strong><br>
Que não deixa sangrar mais.<br>
</p>
<p>Eu não sei se você sabe:<br>
Protrombina é um fermento<br>
Que faz com que o nosso sangue<br>
Coagule num momento!<br>
</p>
<p>Os seus germes do intestino<br>
São capazes de formar<br>
Toda a vitamina K<br>
De que você precisar.<br>
</p>
<p>Mas se a bile, no intestino,<br>
Constantemente faltar,<br>
Você vai ficar carente,<br>
Sem podê-la aproveitar.<br>
</p>
<p>As melhores fontes são:<br>
Vegetais verdes folhosos,<br>
O repolho e a couve-flor,<br>
Todos muito saborosos.<br>
</p>
<p>Com estas quadras término<br>
Esta história singular;<br>
Se não deu pra divertir,<br>
Sempre serviu pra ensinar!<br>
</p>
</div>
</div>
</div>
</section>
<section id="referências" class="level2">




</section>

<div id="quarto-appendix" class="default"><section class="quarto-appendix-contents" id="quarto-bibliography"><h2 class="anchored quarto-appendix-heading">Referências</h2><div id="refs" class="references csl-bib-body" data-entry-spacing="1">
<div id="ref-carvalhojr1966" class="csl-entry">
CARVALHO JR, E. <strong>História das vitaminas</strong>. [<em>S. l.</em>]: Departamento de impresa Nacional, 1966.
</div>
</div></section><section class="quarto-appendix-contents" id="quarto-reuse"><h2 class="anchored quarto-appendix-heading">Reuso</h2><div class="quarto-appendix-contents"><div><a rel="license" href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/">CC BY-NC-SA 4.0</a></div></div></section></div> ]]></description>
  <category>História da ciência</category>
  <category>Biologia</category>
  <category>Vitaminas</category>
  <guid>https://marcioguimaraes.com/posts/historia-das-vitaminas/</guid>
  <pubDate>Tue, 07 Jan 2025 03:00:00 GMT</pubDate>
  <media:content url="https://marcioguimaraes.com/posts/historia-das-vitaminas/vitamina.jpg" medium="image" type="image/jpeg"/>
</item>
<item>
  <title>Varíola: a morte de uma doença</title>
  <dc:creator>Márcio Guimarães</dc:creator>
  <link>https://marcioguimaraes.com/posts/variola-a-morte-de-uma-doença/</link>
  <description><![CDATA[ 





<section id="os-caminhos-da-doença" class="level2">
<h2 class="anchored" data-anchor-id="os-caminhos-da-doença">Os caminhos da doença</h2>
<p>A varíola é uma doença causada por um vírus e matou mais pessoas na história da humanidade do que qualquer outra doença infecciosa. No século XX, entre 300 a 540 milhões de pessoas morreram por causa da varíola, mais do que em todas as guerras que aconteceram nesse período.</p>
<p>A varíola é transmitida por gotículas de saliva no ar, roupas contaminadas e pelo contato com a ferida de uma pessoa doente. A varíola só é transmitida de ser humano para ser humano. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dor nas costas, náusea e pústulas (bolhas cheias de pus espalhadas pelo corpo que eram conhecidas como bexigas). As vítimas da varíola sentem muita dor e cerca de um terço delas morre sendo que os sobreviventes ficam com as marcas da doença pelo resto da vida.</p>
<div class="quarto-figure quarto-figure-center">
<figure class="figure">
<p><img src="https://marcioguimaraes.com/posts/variola-a-morte-de-uma-doença/smallpox.jpg" class="img-fluid figure-img" width="400"></p>
<figcaption>Criança com varíola em Bangladesh</figcaption>
</figure>
</div>
<p>Há a possibilidade de a varíola ter se originado no Egito, há 3000 anos atrás, pois a múmia do <strong>faraó Ransés V</strong> foi encontrada com marcas compatíveis com a varíola. Do Egito acredita-se que a doença chegou à Índia través de caravanas de comerciantes e de exércitos. Porém na índia foram encontradas instruções de um tipo rudimentar de vacinação feita por um sábio indiano há mais de 3500 anos. Essas instruções mandavam retirar pus das feridas de vacas contaminadas com a varíola bovina e introduzir na pele das pessoas para que elas se tornassem imunes à doença. Após Esse procedimento todas as pessoas sentiam uma leve febre semelhante a da varíola humana.</p>
<p>Desses países a varíola se espalhou para a China no ano 340 DC e daí para a Coréia (583 DC) e para o Japão (585 DC). Na China o vírus teve sucesso devido à grande população daquele país.</p>
<p>Os primeiros registros de varíola na Europa datam do século VI DC e acredita-se que foi introduzida no continente pelos povos islâmicos durante as Cruzadas. Por volta do ano 1000 DC a varíola era endêmica nas regiões mais densas da Europa, Ásia e Norte da África. No interior da África a doença não havia a população necessária para o sucesso da doença.</p>
<p>Os Espanhóis se encarregaram de levar à varíola para as Américas quando chegaram, em 1504, ao Caribe. A varíola foi um fator decisivo para a conquista das Américas pelos espanhóis, pois a população nativa foi dizimada pela doença. Com apenas 500 homens <strong>Hernán Cortés</strong> conquistou o império <strong>Asteca</strong> que contava com uma população de cerca de 12 milhões de pessoas. Muitos soldados espanhóis eram imunes à doença, pois já haviam sido contaminados na infância e as crianças pequenas são mais resistentes que os adultos às infecções. <strong>Francisco Pizarro</strong> levou o a doença aos <strong>Incas</strong>, o que também causou sua derrota.</p>
<div class="quarto-figure quarto-figure-center">
<figure class="figure">
<p><img src="https://marcioguimaraes.com/posts/variola-a-morte-de-uma-doença/cortez.jpg" class="img-fluid figure-img" width="400"></p>
<figcaption>Hernám Cortés (1485-1547)</figcaption>
</figure>
</div>
<p>Tanto no caso de Pizarro como no de Cortés a introdução da doença nas populações nativas foi sem intenção, mas houve um caso em que uma doença foi usada como arma biológica pela primeira vez.</p>
<p>Isso aconteceu quando <strong>Sir Jeffrey Amherst</strong>, comandante do exército britânico, deu cobertores contaminados com varíola aos índios americanos por volta de 1760. Na África do Sul e em Angola o vírus foi introduzido deliberadamente para eliminar a população nativa.</p>
<div class="quarto-figure quarto-figure-center">
<figure class="figure">
<p><img src="https://marcioguimaraes.com/posts/variola-a-morte-de-uma-doença/amherst.jpg" class="img-fluid figure-img" width="400"></p>
<figcaption>Sir Jeffrey Amherst (1717-1797)</figcaption>
</figure>
</div>
<p>Durante a Segunda Guerra Mundial tanto os Estados Unidos como a Inglaterra cogitaram usar a varíola como arma biológica e só desistiram porque já havia uma vacina eficiente nessa época.</p>
</section>
<section id="a-vacina" class="level2">
<h2 class="anchored" data-anchor-id="a-vacina">A vacina</h2>
<p>Na índia já existia uma forma primitiva de vacinação que era chamada de variolação. A variolação consiste em retirar pus de um animal ou ser humano contaminados e transferir para uma pessoa sadia para que ela se torne imune a doença. Esse procedimento também era conhecido como inoculação.</p>
<p>Foi <strong>Lady Mary Wortley Montagu</strong>, esposa do embaixador inglês no <strong>Império Otomano</strong> (hoje Turquia), que descobriu em suas viagens que os povos da Ásia faziam a <strong>variolação</strong> para a imunização contra a varíola. Lady Mary ficou tão impressionada com o que viu que inoculou seu próprio filho com o vírus da varíola retirado de outra pessoa. Seu filho caiu em febre, apresentou algumas feridas que logo secaram e caíram. Esse procedimento não era muito seguro, pois uma em cada cinqüenta pessoas morria, mas funcionou com o filho de Lady Mary.</p>
<div class="quarto-figure quarto-figure-center">
<figure class="figure">
<p><img src="https://marcioguimaraes.com/posts/variola-a-morte-de-uma-doença/mary.jpg" class="img-fluid figure-img" width="400"></p>
<figcaption>Lady Mary Wortley Montagu (1689-1762)</figcaption>
</figure>
</div>
<p>Em 1722, na Inglaterra, a <strong>Princesa Carolina de Gales</strong> ficou impressionada com o feito e queria inocular suas filhas, mas a família real não queria servir de cobaia. Usaram então condenados, que posteriormente ganhariam a liberdade e crianças de um orfanato. Todos tiveram os sintomas abrandados da varíola, mas sobreviveram e as filhas da princesa foram inoculadas.</p>
<p>O médico <strong>Edward Jenner</strong> é considerado o verdadeiro descobridor da vacina para a varíola por ter feito observações sistemáticas e testes precisos e por descobrir uma forma de inoculação em que a doença não se manifestava, pois na inoculação feita por Lady Mary as pessoas poderiam morrer. Jenner sabia o que todo mundo sabia: que as pessoas que trabalhavam com gado e contraíam a varíola bovina se tornavam imunes à varíola humana. Jenner, entretanto, teve o trabalho de provar.</p>
<div class="quarto-figure quarto-figure-center">
<figure class="figure">
<p><img src="https://marcioguimaraes.com/posts/variola-a-morte-de-uma-doença/jenner.jpg" class="img-fluid figure-img" width="400"></p>
<figcaption>Edward Jenner (1749-1823)</figcaption>
</figure>
</div>
<p>Em 14 de maio de 1796, Jenner inoculou um garoto de oito anos chamado <strong>Phipps</strong> com pus retirado de uma pessoa com varíola bovina. No braço do menino, no local da inoculação, cresceu uma pústula que desapareceu gradualmente. Em 1º de julho de 1796 foi feito o teste final: Jenner inoculou o garoto Phipps com pus contendo o vírus da varíola humana e nada aconteceu. Passaram-se dias e o menino continuava com ótima saúde. Phipps não poderia mais pegar varíola. Como recompensa, Jenner deu ao menino uma casa 22 anos após o experimento.</p>
<p>A inoculação com varíola bovina, em vez de varíola humana, ficou conhecida como vacinação, pois a palavra latina <em>vaccinus</em> significa “de uma vaca”.</p>
<p>A varíola é a única doença que o ser humano conseguiu erradicar totalmente. Desde 1978 não há mais casos de varíola no mundo. E no início dos anos de 1980 as campanhas de vacinação foram encerradas. Entretanto dois laboratórios guardam vírus da varíola: um no <strong>Centro de Controle de Doenças</strong> em Atlanta, nos Estados Unidos, e outro no <strong>Instituto Ivanovsky de Virologia</strong>, em Moscou, Rússia.</p>
<p>A destruição total desses vírus vem sendo postergada há anos. Algumas justificativas para não destruir o vírus são a perda da biodiversidade viral e a possibilidade de usar os vírus armazenados para a produção de vacinas. Porém a extinta União Soviética produziu toneladas de vírus com fins militares nos anos 1990 envolvendo mais de 30000 cientistas. Apesar de os militares russos afirmarem que esses vírus foram destruídos, não é possível ter certeza.</p>
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<section id="acabou" class="level2">
<h2 class="anchored" data-anchor-id="acabou">Acabou?</h2>
<p>Em 1958 foi descoberto em macacos um vírus semelhante ao vírus da varíola. Esse vírus, chamado de Orthopoxvirus, pode causar uma varíola severa, tanto no macaco como no homem, conhecida como varíola do macaco. As taxas de mortalidade das pessoas infectadas com esse vírus na África são semelhantes àquelas taxas de mortalidade da varíola humana. O primeiro caso de varíola do macaco em seres humanos foi no Zaire, em 1972. Em junho de 2003 foram registrados 72 casos de varíola do macaco nos Estados Unidos. Provavelmente a fonte de contaminação foram alguns ratos ganbienses (<em>Cricetomys gambianus</em>) importados da África como animais de estimação.</p>
<div class="quarto-figure quarto-figure-center">
<figure class="figure">
<p><img src="https://marcioguimaraes.com/posts/variola-a-morte-de-uma-doença/crycetomys.jpg" class="img-fluid figure-img" width="400"></p>
<figcaption><em>Cricetomys gambianus</em> Waterhouse (1840)</figcaption>
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<section id="referências" class="level2">
<h2 class="anchored" data-anchor-id="referências">Referências</h2>
<p>FARREL, J. A assustadora história das pestes e epidemias. Rio de Janeiro: Editora Prestígio. 2003. 279p.</p>
<p>SELGELID. M. J. Smallpox revisited? The American Journal of Bioethics. v. 3, n.&nbsp;1. 2003.</p>
<p>SHCHELKUNO, S. N. Orthopoxyvirus pathogenic for humans. Springer Verlag. 2005</p>


</section>

<div id="quarto-appendix" class="default"><section class="quarto-appendix-contents" id="quarto-reuse"><h2 class="anchored quarto-appendix-heading">Reuso</h2><div class="quarto-appendix-contents"><div><a rel="license" href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/">CC BY-NC-SA 4.0</a></div></div></section></div> ]]></description>
  <category>História da ciência</category>
  <category>Biologia</category>
  <category>Vacina</category>
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  <pubDate>Tue, 13 Jun 2017 03:00:00 GMT</pubDate>
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